O que você precisa saber para pedalar entre os carros

Não tem escola para aprender a andar de bicicleta, certo? Nem tanto! Referências da área, como o projeto Bike Anjo e a Escola de Bicicleta, têm a finalidade de ajudar ciclistas a se deslocarem em segurança por entre o trânsito das ruas. É claro que a gente sonha em ter ciclovias levando para todo lugar, mas enquanto não chega esse dia, apuramos instruções e recomendações para trazer aqui o que consideramos mais importante. Seguindo à risca essas dicas até quem não tem muita experiência vai conseguir se virar bem. Confira e deixe também suas dicas nos comentários!

Princípios básicos

O uso do capacete é indispensável, mas seguindo corretamente as outras recomendações ele será apenas um fator de estilo. Antes de encarar o trânsito, sempre procure vestimentas ou acessórios que te façam visível – se pretende pedalar à noite, equipe sua bike com refletores, uma luz vermelha na traseira e uma lanterna clara na frente. Cheque seus equipamentos, veja se os pneus estão cheios, pedale um pouco em uma área segura, troque marchas, teste os freios, garanta que o banco está firme e que sua roupa não está limitando nenhum movimento. Tudo certo? Então vamos à rua! Esses 7 primeiros passos resumem os aspectos fundamentais para se locomover de bike em qualquer lugar:

  1. Trajeto: planeje sua rota com antecedência e escolha as vias de menor movimento. Evite a todo custo os percursos usados por ônibus e caminhões. Quanto mais você conhecer o caminho que vai percorrer, mais seguro estará.
  2. Mantenha-se à direita: essa é a regra básica de convivência com o trânsito, respeite-a quase sempre (leia toda a matéria para saber as exceções). Quando houver carros estacionados à sua direita, mantenha uma margem de segurança, preveja que uma porta de carro pode se abrir de repente.
  3. Respeite o sentido da rua: nunca ande na contramão, isso é regra e tem motivo indiscutível: acidentes com colisão frontal são os que produzem os piores resultados.
  4. Seja previsível: quanto mais simples forem seus movimentos, mais seguro você estará. Ande tranquilo e não tome decisões súbitas que possam surpreender quem está em volta.
  5. Sinalize suas intenções: em cada curva ou cruzamento é muito importante deixar claro o que você vai fazer. Existem sinais definidos para interagir no trânsito, mas nem sempre eles são suficientes (leia mais abaixo). Exercite a gesticulação para comunicar da melhor maneira possível suas ações.
  6. Demonstre confiança: você está numa bike e ao seu redor tem veículos que pesam 1 tonelada, mas você tem direito de usar um pedaço da rua. Deixe claro em sua postura que você sabe o que está fazendo. Não seja ousado, nem tente se impor.
  7. Preste atenção e antecipe:  a melhor forma de se manter seguro é perceber o fluxo ao seu redor e ao mesmo tempo olhar um pouco mais à frente, prevendo as situações que podem gerar risco. Em cada trecho da cidade existe uma dinâmica e também seus hábitos. Dedique atenção a cada momento e aos poucos você será capaz de antecipar a maioria das situações de perigo que tendem a se repetir.

 

Sinalização

sinais de braco para ciclistas

Os sinais acima são universais, e servem para indicar as ações mais básicas do ciclista no trânsito. Porém são apenas quatro, e dois deles indicam a mesma coisa. Mas sabe o pior aspecto dessa sinalização é que ela ainda é pouco conhecida por todos. Por mais que alguns sinais sejam explícitos, é importante considerar que nem sempre são compreendidos.

Como o convívio das bicicletas no trânsito vem se intensificando recentemente, se faz necessário um código de sinais completo e amplamente difundido. Essa questão é atual, está evoluindo em diversos países e deve ser melhor resolvida nos próximos anos. A regra geral hoje é usar o bom senso para sinalizar suas intenções no trânsito da forma mais clara possível. Na falta de um código oficial, são adotados intuitivamente sinais que vêm de outros países ou outras modalidades – a imagem abaixo traz alguns exemplos. Como essa é uma linguagem da rua, seu uso vai sempre variar e o melhor jeito de aprender é na prática. Observe ciclistas mais experientes, use os sinais, perceba quais estão sendo compreendidos e quais as melhores situações para usá-los.

Uma dica dos mais experientes: nos cruzamentos, sinalize até mesmo quando você for continuar em frente.

sinais de mao para ciclistas

Situações que exigem cuidado

Seja dividindo espaço com os carros ou pedalando em uma faixa exclusiva, o maior cuidado do ciclista deve ser com os cruzamentos. Se existem carros entrando ou saindo da via, você precisa redobrar a atenção, mesmo que pretenda apenas continuar em linha reta. As principais recomendações são:

  1. Calcule as possibilidades: é fundamental saber tudo que pode acontecer em cada cruzamento. Observe a sinalização e os semáforos para entender quais as conversões possíveis e quais os pontos de onde um veículo pode acessar a rua.
  2. Avalie o risco: há situações caóticas no trânsito e há cruzamentos que não foram pensados para bicicletas. Antes de se enfiar no meio dos carros, avalie o que a situação permite. Se você precisa fazer uma curva mas não está totalmente seguro, apenas encoste à direita e pare. Se for atravessar pela faixa de pedestres, sempre desça da bike.
  3. Identifique as intenções: olhe para os veículos ao seu redor e tente perceber se eles pretendem seguir em frente ou estão se preparando para virar. Lembre-se que nem todo motorista usa a seta, infelizmente.
  4. Comunique-se: use gestos claros para indicar a direção que você seguirá. Se você perceber que algum veículo ameaça cruzar seu trajeto, chame a atenção do motorista com sua buzina ou um grito.
  5. Integre-se: a melhor forma de participar do trânsito é fluindo junto com ele. Há casos em que é preferível ocupar o meio da faixa e há situações em que é melhor sair da faixa da direita e usar a faixa ao lado. Em cada situação, a melhor escolha é a que produz menos conflitos e permite ao trânsito fluir com naturalidade.
  6. Saiba quando ceder: nosso código de trânsito visa proteger os mais vulneráveis, por isso pedestres e bicicletas têm prioridade sobre os carros (pelo menos no papel). Quando saímos da teoria para a prática, verificamos que existem desafios para fazer valer esses direitos, e o maior deles talvez seja cultural. Muitos brasileiros não têm o hábito de ceder passagem, nem mesmo por cortesia, e muitas vezes avançam com seus carros no intuito de “conquistar” a prioridade e passar primeiro. Mesmo que seja o contrário do que a lei sugere, esse comportamento desagradável é comum e muitas vezes não resta opção ao ciclista senão parar e ceder a passagem. Se você estiver lado a lado com esse motorista no próximo farol, você pode ter vontade de explicar a ele essa questão, com calma e respeito, como muitos cicloativistas fazem.

A imagem abaixo ilustra duas situações em que você deve ter cuidado. Para virar à esquerda, recomenda-se ganhar a frente dos carros, sinalizar e certificar-se que os motoristas estão te vendo. Outra opção é parar à direita e esperar a pista ficar vazia. Já no outro caso, quando um carro que vem do outro sentido pretende fazer a curva à sua frente, um dos dois terá de esperar e oferecer a passagem. Aqui vale o bom senso, aguarde até que o motorista demonstre qual sua postura.

bicicleta e carros_situacoes de risco

Gostou das dicas? Quanto mais educação para o trânsito nosso país tiver, menor será o prejuízo causado por acidentes.
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crianca aprende sinais para usar bicicleta

Crédito das imagens, de acordo com a ordem: theguardian.com, blog.rightturn.com, menshealth.de, verkehrsquizv.wordpress.com e pedalready.org.nz

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